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15 de abril de 2009

Carta de Amor II: Ignorare (2/10)

(continuação)

Se um dia os meus lábios se cruzassem com a coragem e a minha boca se enchesse de sons e de dentro saíssem mais do que meros suspiros teria tanto para te contar.

Mas como o dia tarda em chegar, e eu busco-te por entre teorias e alquimias, fazendo depender do sucesso desta demanda a felicidade de toda uma vida, tenho pressa e vou começar assim:

Olá meu anjo,

O estranho que te bebe lentamente com os olhos e se embriaga com os teus odores adocicados sou eu, chamo-me Alfredo.

Desde há longa data que só me é permitido amar-te à distância segura de um pensamento, essa mesma distância que te protege de mim e me mantém seguro de ti.

Mas nem assim, a anos luz de ti, no reverso dos teus sentimentos, eu consigo acalmar os fantasmas que me atormentam no imenso escuro que inunda os quartos em que me enclausuro.

Tentei comprar a minha paz vendendo histórias de encantar, em vão. Coleccionei experiências, viajando pel'almas, tocando cada espaço infinito dos sentimentos humanos, mas isso também foi em vão.

Por fim, não o do tempo, mas o das tentativas frustradas, tentei ignorar-te arrancando de mim cada pedaço de ti. Sofri, chorei, sangrei e mais uma vez em vão.

(...)

(continua)


merakian|10 apresenta:
«10 Anos de Eternos Infinitos»

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